PASSARÁ... ARQUEOLOGIA MUSICAL PARA UM NOVO ANO

Normalmente nesta época do ano (natal de 2016)


quando estamos avaliando nossas conquistas e percalços e planejando o futuro, sinto-me animado para saudar os amig@s com uma mensagem. Nos últimos anos os tenho saudado com uma vídeo-brincadeira cantada por mim, com versões de antigas canções de natal, que gosto de enviar individualmente aos mais próximos com algumas palavras fraternas.

Esse ano, entretanto, diante dos acontecimentos e do sofrimento ao qual o país está submetido não consegui me animar para fazer isso... Foram tantas coisas pesadas, e que continuam acontecendo, que parece que foram cinco anos em um. E é só uma depressão, hein? Imagino como deve ser duro para aqueles, como os irmãos sírios, que vivem na guerra, deve ser muito, muito difícil.

No começo do ano lembro-me de estar brincando com a “Marchina do Japonês da Federal” e, de repente, tudo ruiu... Inclusive o japonês! E não param de aparecer bandalheiras. O Brasil, de referência emergente, tornou-se referência internacional em corrupção. Sei, sei há um exagero e até uma parcialidade da imprensa. Sim existe. Mas os fatos estão aí, não precisamos de nenhuma chave hermenêutica para compreendê-los. É muito triste.

De repente sou remetido ao passado com um presente inusitado de natal, que recebi de minha amada Rose. Ela me presenteou com um toca vinil, uma “Pick-up Polivox TD 3.900”. Uma legítima representante dos anos 1980. Imediatamente, resgatei da garagem os equipamentos de som que foram presenteados por meu pai na adolescência e que estavam lá aposentados por incontáveis anos.

Dei uma boa limpada em tudo. Com expectativa conectei-os à tomada. Tudo acendeu, estavam funcionando. Um Reciver e Equalizador gráfico Grandiente, e um Tape-Deck Technics. Incrível!

Resgatei também os LPs, que por razões sentimentais não passei para frente. Estavam lá também na garagem, esperando por esse momento, e preservados na célula do tempo de um “saco de lixo azul”. Preciosos discos autografados por seus autores: Uma coleção do irreverente “Grupo Tarancón” de qualidade musical incomparável, tudo no melhor estilo acústico; “Raíces de América” com seu estilo mais “eletrônico”, com maravilhosas poesias recitadas; “Diana Pequeno”; a incrível “Marluí Miranda”, as espetaculares “Luli e Lucina”, além da admirável “Joyce”, ainda muito atuante.

Nesse exato momento, enquanto descrevo essa reflexão estou ouvindo o LP “Bom Dia”, de 1980, do Tarancón, faixa 3, Lado B, “Passará”, de autoria de Jaime Alem, que traz uma mensagem de esperança e força que quero “passar” a vocês, meus amigos, desejando com ela força para os anos vindouros:

Passará, passará quem passará dessa piora para melhorar

Passará quem tiver os braços quem tiver as pernas vai querer passar

Passará quem não for sozinho quem somar caminho para melhorar

Quem folgar, passará em falso um passo à frente dois para retardar

Do outro lado se avistam flores e colmeias como resultado do trabalho

Desse lado gritos e lamentos o mato queimando sem poder plantar

Passará...

Fraternal Abraço!

LEV BERNI DESENVOLVIMENTO HUMANO PSICOLOGIA & EDUCAÇÃO

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