O TIME, O MINISTRO E O JUIZ, CONTINUANDO A CONVERSA



E continuamos assistindo e aprendendo com as lições advindas da queda do avião com a delegação da Chapecoense...

A mãe do jogador que ao ser entrevistada vira entrevistadora, ela própria, ao inverter os papéis com quem fazia a entrevista. De repente ela fala para o rapaz que fazia a entrevista: “- Posso te perguntar uma coisa?” O rapaz surpreso respondeu “- Pode.”, e ela continuou “- Como você está se sentindo com as perdas?” o rapaz, então, sem palavras, caiu em pranto sendo consolado por ela num abraço maternal, o que fez com que a transmissão ao vivo fosse interrompida.

Ou o pai do jogador que, ao ser conclamado a comparecer ao aeroporto para recepcionar o presidente que viria para prestar homenagem aos jogadores, recusou o convite afirmando que não iria, pois nada tinha que lá fazer, uma vez que apenas esperava pelo corpo do filho para ser velado pelos parentes e amigos.

Pelo mundo a fora, os times e os torcedores continuam a demonstrar solidariedade misturando jogadores adversários em minutos de silêncio coletivo, ostentando no peito, de forma orgulhosa, o brasão do Chape. O Corinthians, por exemplo, tingiu seu site de verde não se importando com a conotação que pudesse ter para alguns torcedores radicais.

E lá no Senado, felizmente num ambiente muito mais ponderado que o da Câmara - que normalmente nos leva à indignação, quando não à irritação - juízes, um ministro do STF e os senadores deram um bom “ponta pé inicial” no jogo da discussão aprofundada sobre o abuso de autoridade e a corrupção, antes que qualquer lei possa ser aprovada de forma sub-reptícia.

Nesse “primeiro tempo” todos puderam falar e ser ouvidos a partir de seus posicionamentos hermenêuticos (interpretativos) dos fatos, que expressaram preocupações e dores. Sim, dores, pois as manipulações, e os exageros, frutos de abusos que possam ocorrer, e ocorrem, promovem dores e patrocinam injustiças para todos.

Já os partidários, deste ou daquele, alheios às lições advindas da dor do mundo esportivo, “torcedores políticos” que parecem ser, logo tomaram as cores de seus times e rapidamente postaram (o)posições interpretativas de suas leituras da discussão apresentando as “surras, que o discurso deste, ou daquele deu em relação à posição daquele outro”, retomando o clima acirrado das torcidas de “Coxinhas X Mortadelas...” ,

De repente, recebo um texto conclamando uma reflexão para um suposto retorno dos militares ao poder! Que é isso, companheiros? Nada pode ser mais equivocado e nefasto para a sociedade, em qualquer momento, que o fechamento político fruto de uma suposta de austeridade promovida pela falta de liberdade, em função de um regime autoritário que, sem dúvida é muito responsável pelo analfabetismo político que nos assolou durante “os anos de chumbo”, e que nos levou, de forma equivocada, a escolher muitas das figuras nefastas que estão na Câmara hoje! Pela primeira vez na história recente do Brasil, sabemos quem são os líderes dos poderes da República e desconhecemos quem são os jogados da Seleção brasileira de futebol! Isso é absolutamente maravilho, e não pode ser perdido em nome da abdicação da construção da autonomia, em prol de uma heteronomia confortável, que um regime fechado pode proporcionar, para alguns! Isso nunca mais! Essa precisa ser a bandeira que todos precisam portar.

Será que não conseguimos compreender os perigos que esse ambiente de radicalismo representa? Penso que sim. Será que não conseguimos apreender a lição que a solidariedade advinda da dor do esporte? Acredito que sim. Será que não estamos, como nação, suficientemente sofridos para pensarmos em algo que possa conciliar posições em prol de todos? Espero que sim.

Foi ótimo poder ouvir o ministro discordar radicalmente do juiz, sem romper com o diálogo! Por que não podemos fazer isso entre nós?

Precisamos ser rigorosos em nossos posicionamentos e não rígidos, pois a rigidez impede a reflexão.

Precisamos vencer a tendência ao radicalismo que estamos vivenciando, pois não existem soluções mágicas! A mais consistente e única que realmente vale a pena lutar é aquela que nos leva à aprendizagem no tortuoso caminho que estamos trilhando.

Precisamos militar pela mitigação da corrupção, sim! Pelo uso correto do poder, também! Mas precisamos valorizar os políticos que são capazes de ouvir e dialogar, eles estão lá no Congresso, separemos, pois, o joio do trigo e, acima de tudo, lembremos que somos todos mortais, e que estamos numa busca comum – a da felicidade – e que essa busca não pode ser pautada pela eliminação do outro, mas pelo diálogo.

Que haja, pois o dissenso, como houve no Senado, mas que esse seja sempre respeitoso, de modo a preservar os direitos que concernem a todos, e que possamos nos unir em prol de uma causa maior.

LEV BERNI DESENVOLVIMENTO HUMANO PSICOLOGIA & EDUCAÇÃO

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