O HISTORIADOR E A SANTA

Recebi recentemente, generosamente enviado por seu autor, o livro "Hildegarda de Bingen: Mística Santa", (Letras e Versos, 2018), escrito pelo querido amigo o historiador Paulo Paranhos, profícuo autor. Só ontem tive oportunidade de me debruçar sobre a obra.

Antes de iniciar a leitura, porém, passando os olhos por sobre o sumário imediatamente chamou-me atenção um dos capítulos finais intitulado: “Produção Musical”. Assim, violando as regras da leitura comecei por ali e vi que a “Santa” historiografada era também música. Curioso, arrisquei no Spotify, e não é que encontrei “Hildegard Von Bingen”! Portanto, minha leitura da história relatada pelo laico amigo, se deu embalada pela surpreendente música medieval composta pela personagem retratada no livro. Fato que criou um clima mágico para a leitura.

Fui, então, direto ao texto, evitando ser preparado pelos autores pré-textuais que escreveram tanto o prefácio, quanto a apresentação das abas de capa, ambos clérigos. Gosto de fazer isso para ter uma impressão própria e direta do material, do mesmo modo que aqueles que escreveram esses elementos tiveram, sem preparação. E assim o fiz sob a música mágica da Santa, nas melodiosas vozes femininas do canto medieval, entoadas em uma abadia perdida em algum lugar da Europa.

O livro pode ser divido em duas partes. Na primeira, o historiador traça um quadro histórico da complexa situação do grande império eclesiástico cristão, no período dos “cismas” que dividiram a igreja. Apresenta com muita propriedade a “mistura das coisas de Deus com as coisas mundanas”, e outros problemas doutrinários. Mostra, também, os fundamentos da ordem beneditina, onde a Santa cresceu e floresceu, para, por fim, trazer a genialidade desta mulher que, com rara assertividade iluminada ajudou a fundamentar a teologia católica.

Eu já tinha lido sobre Santa Tereza de Ávila, mas Hildegarda, eu desconhecia. Menina franzina e um tanto adoentada, que fora entregue à vida monástica (beneditina) pela família, ainda muito jovem. Desde cedo a criança tinha vivências místicas.

Místico é aquele ou aquela que comunga diretamente com a divindade, sendo capaz de relatar, normalmente de forma muito particular (simbólica) sua vivência, que, não raro, contém verdadeiros sistemas filosóficos, tamanha a complexidade dessa relação de intimidade com a divindade...

Não sei se estamos ainda em tempo de místicos e santos, creio que não. Hoje tais pessoas provavelmente seriam (são) reconhecidas como “gênios da ciência e/ou das humanidades”. Para aqueles que, como eu, procuram compreender a magia dos Níveis de Realidade que se descortinam aos olhos atentos dos observadores, “Hildegarda de Bingen: Mística Santa “é uma leitura muito interessante.

Então após a leitura do texto principal fui aos elementos pré-textuais, li o prefácio e as abas escritos por autoridades da Igreja. Muitos foram os elogios e destaques, muitos dos quais eu mesmo pude perceber em minha leitura. Como, por exemplo, o fato desta mulher medieval ter sido reconhecida em seu próprio tempo e ser a mais “nova doutora da igreja”, um título normalmente conferido apenas a homens. Tal reconhecimento é bastante recente, nos remetendo à Bento XVI. Uma vez mais fiquei surpreso! Creio que muito ainda ouviremos de Santa Hildegarda.

Parabéns, querido amigo Paranhos, por nos brincar com mais essa obra!

Para contatar o autor: Pauloparanhosdoriobranco@gmail.com

A capa do livro e um vídeo com a música mágica de Hildegarda


LEV BERNI DESENVOLVIMENTO HUMANO PSICOLOGIA & EDUCAÇÃO

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