E POR FALAR EM SÍMBOLOS - MAIS À ESQUERDA, OU MAIS À DIREITA: ONDE VOCÊ ESTÁ?

Escrevo para tentar situar-me nesse cenário, então compartilho com os amig@s.

Os psicólogos partilham da crença, ou convicção - definida pela ética profissional, que se alinha à Declaração Universal dos Direitos Humanos - na capacidade humana para autodeterminação. Mas isso não se faz sozinho, pois é na convivência social que cada um vai construindo seu lugar. Toda autodefinição é composta por elementos racionais e simbólicos com os quais as pessoas vão se identificando e se construindo como sujeitos.

Num momento como o que vivemos, onde é chegada a hora da manifestação, as ruas deixam transparecer os símbolos e as explicações que as pessoas declaram direta ou indiretamente ter. Os números são inequívocos, e não é preciso de valores absolutos, basta olhar para o contraste que as imagens revelam para saber que tem muita gente nas ruas, dos dois lados apresentando e/ou defendendo suas crenças.

Neste momento, pode ser possível compreender o lugar que uma pessoa ocupa, a partir de um simbolismo cromático básico, expresso num gráfico horizontal simples: Do lado esquerdo está o vermelho, e do lado direito o verde-amarelo. Alguma coisa assim:

Vermelho [- - - - - -*- - - - - -] Verde-amarelo

A estrelinha é o centro. Quanto mais para as extremidades, mais intensa é a cor e mais “radical” a pessoa será (pois próxima à raiz), quanto mais ao centro mais tênue a cor será e, portanto, o posicionamento será mais “moderado”.

Essa linearidade apontada pelo gráfico, a partir da qual as pessoas se referem umas às outras, pode ser, todavia, um equívoco, pois a aparente polarização “petralhas x coxinhas” não pressupõe coisas semelhantes, em polos exatamente opostos. Há um braço vertical em ação. Vejamos:

Enquanto o lado esquerdo traz claramente um posicionamento político amadurecido (convicção), presente em grupos organizados e manifesto numa cor, numa liderança (pessoa símbolo – o Lula) e numa palavra de ordem “não vai ter golpe” (passível de interpretações). A grande preocupação desse lado é com retrocessos que ponham a perder direitos conquistados à duras penas.

O lado direito dicromático, traz em si uma ambiguidade, representado simbolicamente pelas duas cores que possui. A ambiguidade está entre dois/três grupos.

O primeiro grupo verde-amarelo, o grande grupo, foi mais motivado pelo coração, ou tomado de assalto pela emoção numa insatisfação a-racional de indignação popular. A grande maioria do lado direito, aquela que maciçamente foi às ruas, é formada de trabalhadores que se sentem ultrajados com a falta de ética (na verdade com a deturpação moral dos políticos). Sentem-se traídos pelo legislativo e pelo executivo. No legislativo a figura de Eduardo Cunha é a campeã da rejeição (aqui os dois lados concordam). Do lado do executivo há um sentimento de traição, pois entendem que o governo sabia da crise econômica e a escondeu apenas para ganhar as eleições. No fim essas pessoas sentem algo do tipo: “eu ralo muito para ganhar honestamente a vida, enquanto esses políticos (executivo e legislativo) roubam o meu dinheiro, e me enganam. Eu não sou palhaço!” Falta, entretanto um amadurecimento político que está sendo exercitado neste momento.

O segundo grupo verde-amarelo, o politico enfraquecido, procura cooptar o primeiro apresentando-se como liderança (PSDB, por exemplo) sem sucesso. A coisa que mais me chamou atenção desse lado foram lideranças empresarias falando de greve geral. Como assim os donos do Capital propondo uma greve geral? Como há muita hostilidade contra eles, estes fazem pequenos gestos de “carinho” oferendo benesses aos manifestantes que acabam se concentrando em frente ao “templo do capital” o prédio da FIESP na Paulista que é vestido de verde amarelo com a tarja “impeachment já” para magnetizar os manifestantes.

Há um terceiro elemento (grupo) importantíssimo representado pelo judiciário (representantes da Moral), a figura do juiz Moro que se torna para o primeiro grupo a pessoa símbolo, bem como a Política Federal (o japonês em específico). Este grupo não deveria estar de lado nenhum, mas a população o puxa para cá. Aqui entra a figura do ex-ministro Joaquim Barbosa que está muito quieto por sinal.

Como não se apresenta uma liderança política capaz de capitanear o grupo, este segue acéfalo (sem líder), motivado apenas pelo furor emocional da insatisfação. Esse é um real perigo, pois há quase um clamor pela vinda de um Messias! (Isso traz um verdadeiro pavor para o lado vermelho). Se ele se candidatar – o Moro - será imediatamente eleito para alguma coisa. Assim como o Joaquim Barbosa. Como não há liderança e com o aperto da situação econômica a frase de ordem e figura símbolo sobre a qual recai a insatisfação foi trocada de Eduardo Cunha com o “fora Cunha”, pela presidente da república, com a frase “fora Dilma” ou “Impeachment já”, ou pela não aceitação da nomeação do Lula como ministro. Aqui há uma variação em função da “Lava Jato”.

Quando uma liderança política tenta se apresentar como líder, como foi o caso do Aécio Neves e Geraldo Alckmin, mas também o Paulo Skaf, é hostilizada com o jargão “o-por-tu-nista”.

Do lado vermelho as coisas não são tão homogêneas assim, mas a politização impõem um acordo tácito, e assim a frase de ordem e os símbolos são preservados. Esse é um elemento muito importante que confere unidade ao grupo.

Os dois lados têm doutas figuras que procuram explicar o que está acontecendo. Há um grupo de intelectuais do lado vermelho que tem peso acadêmico e avisa com preocupação que o que estamos vendo assemelha-se, aliás, é exatamente igual a 1964 e, portanto trata-se de um “golpe de estado” que está sendo costurado no Impeachment, por uma Oposição que perdeu nas urnas. Outros, mais pro lado verde-amarelo acham que se trata de um “duro golpe político” para o PT, pois as instituições estão preservadas.

A estratégia de muitos do grupo vermelho em defender o ponto tem uma tática pouco eficiente, pois centrada na perspectiva “nós contra eles”, que ajuda a polarizar mais a situação, ao invés de abrir-se para o diálogo o que ajudaria a politizar. Os trabalhadores do lado verde-amarelo sentem-se hostilizados. A tática é muitas vezes baseada numa exposição violenta “da mediocridade” do lado verdade-amarelo, mostrando com toda a crueza "a ignorância" fruto da não politização. Não seria isso um tipo de violação de direito?

E assim as coisas vão caminhando perigosamente.

Quando o juiz Moro, na semana passada, resolveu, num gesto político, liberar as gravações da Lava Jato, em função da indicação de Lula como ministro, introduziu uma ameaça à imparcialidade fundamental do judiciário. A grande mídia, por sua vez, figura central nessa história faz edições e turva o cenário político, pois conclama a todos à indignação emocional frente às imoralidades expostas na intimidade dos símbolos, as lideranças. Esse gesto, todavia, foi fundamental para acordar as lideranças “aposentadas” do lado vermelho que voltaram a se manifestar e houve um aparente equilíbrio.

E por falar nesses símbolos, onde você se encontra?

LEV BERNI DESENVOLVIMENTO HUMANO PSICOLOGIA & EDUCAÇÃO

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